Com as anotações feitas durante as palestras do 5º congresso EBAI acabei fazendo um resumo das que achei mais interessantes. Se gostar ou tiver algo a acrescentar comenta lá embaixo.
DIA 1 – 21/10/2011
UX no Limite: como fazer um bom trabalho em experiência do usuário apesar das limitações.
Palestrantes: Andressa Vieira, Marcos Eduardo Vigorito de Oliveira, Paula Sato (Locaweb)
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O pessoal de UX da Locaweb provou que ter uma equipe focada no design de seus produtos e ferramentas é essencial, mas acima de tudo mostrou o valor do design centrado no usuário e do uso das boas práticas, mesmo com todas as limitações envolvidas.
O que ficou de sua palestra foi principalmente a importância dos métodos de pesquisa, que infelizmente ainda são tão pouco utilizados por aqui. Por se tratar de uma equipe interna, tiraram muito proveito disso e puderam se aproximar e criar um relacionamento com clientes, desenvolvedores e equipe de suporte.
Search Engine Optimization – SEO: a contribuição do bibliotecário na otimização de websites para os mecanismos de busca
Palestrantes: Adriano Mendes de Oliveira, Héber Terra Ferreira, Valdir Assis Casimiro, Cibele Araújo Camargo Marques dos Santos (FESPSP)
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Falaram um pouco sobre os métodos usados em seu dia-a-dia no trabalho de organizar uma biblioteca digital e também sobre como podem ajudar no trabalho de SEO. Senti um pouco a falta de exemplos mais práticos da aplicação das ferramentas de biblioteconomia dentro do SEO, que acabou tornando a palestra um pouco superficial.
Crowd Sourcing: Usando as comunidades virtuais para gerar e discutir idéias de design
Palestrante: Philip Rhodes (One to One Insight)
Com muito conteúdo e domínio sobre o assunto, em minha opinião a melhor palestra do dia.
Philip trouxe com muita propriedade o assunto do momento, como usar as redes sociais em prol do design e das marcas.
Pra começar ele traçou uma linha de tempo da evolução do design, muito interessante, onde inicialmente apenas o design era o rei, considerado o estágio egocêntrico, em seguida veio o estagio da colaboração, dos usuários (UCD) e atualmente estamos em seu estágio social, onde o design e as experiências são criadas a partir da interação e conhecimento gerados nas comunidades virtuais.
O monitoramento das redes sociais é uma das ferramentas mais úteis nesse panorama, porém não garante a inovação, mas sim a melhoria dos processos e do produto de uma maneira geral. Um exemplo dado por Philip foi do logotipo da Gap que após a grande polêmica nas redes sociais acabou voltando para seu logo original.
As “comunidades de inovação”, como são denominados esses ambientes, devem ter algumas características especiais para que gerem melhores insights. Em geral o ambiente deve ser fechado (login e cadastro), ter um histórico das interações, privacidade, motivar o diálogo entre os membros e principalmente ter um comunity manager.
Comunidade de inovação infelizmente não funciona para todos, há casos onde a cultura da empresa não permite ou não combina com as abordagens e métodos utilizados.
Entre alguns exemplos do uso de comunidades e crowdsourcing, um que chamou bastante atenção foi o Fold.it, que com a ajuda da inteligência coletiva resolveu problemas que cientistas ainda não conseguiam. O conhecido IdeaStorm.com da Dell, onde uma comunidade de 6 mil membros gerou 15 mil idéias para a empresa. E também do The Guardian, que usou o Google Docs para validar artigos antes de serem publicados oficialmente.
Finalizou com dez regras simples e eficazes para gerir comunidades de sucesso.
Interatividade + TV
Palestrante: Rodrigo Quaresma (PayTV / GVT)
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Rodrigo trouxe um assunto ainda pouco abordado nas rodas de UX, a tão sonhada TV interativa. Ele fez uma rápida explanação sobre os níveis de interação existentes nessa mídia, suas principais características e a promessa do set-top box se tornar um media-center em nossos lares. Mas o mais interessante foi ouvir sobre as dificuldades ainda enfrentadas no desenvolvimento de interfaces e experiências para TV interativa. Não há padrões bem definidos tanto na tecnologia quanto nas interfaces, o que transforma os designers dessa área verdadeiros desbravadores.
Algumas frases pescadas durante sua apresentação:
- “Interatividade é diálogo.”
- “Ofereça menos decisões.”
- “Não foque nas etapas mas sim no esforço necessário.”
- “Usuários de TV não querem computador.”
- “Convivência em vez de convergência.”
A influência das cores na usabilidade de interfaces através do design centrado no comportamento cultural do usuário
Palestrantes: Cínthia Costa Kulpa, Eluza Toledo Pinheiro (UFRGS)
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A Cínthia é mestre em cores, e falou com propriedade sobre todos os aspectos da influência das cores no design. Trouxe muitas informações relevantes, apesar de algumas não serem novidade para quem é designer e estudou teoria das cores. Algumas informações interessantes:
- Entre nossos sentidos a “visão cor” é responsável por 59% da captação de informações, seguida pela forma (20%) e audição (11%).
- 70% das interfaces web são brancas.
- Cinzas são ótimos para interfaces usadas por longos períodos.
- Vermelho aumenta a pressão sanguínea.
- Violeta gera equilíbrio visual.
- Verde é a cor mais visível do RGB, ótimo para buscas rápidas.
- Azul e branco é a combinação com melhor legibilidade
Painel de Discussão
Palestrantes: Iris Coldibelli, Juliana Constantino e Robson Santos (mediados por Carol Leslie)
Com certeza foi o ponto alto do primeiro dia. Profissionais com muitos anos de experiência, compartilhando seus pontos de vista sobre as áreas de AI e UX, tanto pontos convergentes quanto divergentes, enriqueceu muito a discussão. Um dos assuntos recorrentes foi o antigo dilema da especialização versus gerência.
UX = MKT²
Palestrante: Emerson Niide (Abril)
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O Emerson com suas divertidas analogias e jogo de cintura, trouxe uma bacana comparação entre UX e Marketing e concluiu que precisamos mostrar mais nosso valor, afinal nossos colegas do marketing já o fizeram a muito tempo e hoje colhem seus frutos.
Design Livre e Cultura Colaborativa
Palestrante: Frederick van Amstel (Instituto Faber-Ludens)
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O Fred mais uma vez trouxe a inquietação do Open Design para a discussão. Explicou como funciona essa cultura colaborativa e falou da importância de abrir o processo e a documentação utilizada na produção de um produto. Exemplificou com cases do Microsoft Office 2007 e seu blog de desenvolvedores, o Open Ideo, Letsevo e um caso pessoal envolvendo a Ikea e os móveis para seu apartamento na Holanda. Enfim, levantou a questão do designer criador de processos e não apenas produtos.
Explicou porque design livre é diferente de crowdsourcing e demonstrou como funciona o site Corais.org, uma plataforma de design livre “co-criada” pelo Instituto Faber-Ludens.
Fred mostrou um dos produtos criados nessa plataforma, o UX Cards, um game usado para definição dos processos e metodologia de trabalho para projetos de UX. E convocou todos para colaborarem nesse e outros projetos que estão rolando no corais.org.
DIA 2 – 22/10/2011
Interface para um ambiente de consumo + participação: um widget social para a experiência Globo.com
Palestrantes: Paulo Coimbra (Globo.com)
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Um case bacana de integração do widget social do twitter dentro de um dos maiores portais de conteúdo brasileiros. Além de detalhar alguns pontos do processo ágil envolvido na produção, o Paulo falou bastante dos desafios e quebra de paradigmas envolvidos nesse projeto, entre eles a questão da moderação e curadoria da enorme quantidade de conteúdo gerada pelos usuários, o que tornou o projeto bastante desafiador.
O sucesso do projeto garantiu o reconhecimento da auto-moderação e da inteligência coletiva dentro da companhia.
Alguns dos aprendizados:
- Diálogo no lugar de simples mídia.
- Foco no produto em vez de entregáveis.
- Entregar além do briefing e do status qüo.
- Ter que entender as regras do negócio e se necessário ir além.
Panorama do mercado de trabalho
Palestrantes: Elisa Volpato e Stefan Martins (UPA – São Paulo)
A Elisa e o Stefan apresentaram os resultados da pesquisa da UPA sobre o mercado de UX no Brasil. Cargos, nomenclaturas, salários, níveis de senioridade, divisão dos profissionais por região do país etc. A ideia da Associação é realizar esta pesquisa anualmente para conseguir entender a evolução dos dados com o passar do tempo. Um dos pontos mais comentados foi o crescimento dos profissionais sênior com pouco tempo de mercado.
Arquitetura de Informação sem wireframe
Palestrantes: Rodrigo Freese Gonzatto, Karla da Cruz Costa (Instituto Faber-Ludens)
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Wireframing é a tarefa mais executada pelo profissional de AI brasileiro. A partir dessa constatação, foi feita uma longa explanação do que é um wireframe e de seus problemas, em seguida foram apresentadas algumas alternativas ao uso do wireframe, como técnicas de narrativa guiada, wireflow uma mistura de wireframe e fluxo, o conhecido sketching e o “gogósketching” que utilizaria a fala como meta-prototipação.
Acima de tudo, reforçaram a técnica do sketch, que é um processo divergente, coletivo e prega a experimentação, enquanto o wireframe é convergente e solitário.
Ao fim muitos comentários e uma conclusão: o wireframe só é vilão se for mal utilizado. Se utilizado como ferramenta de colaboração e diálogo em vez de simples entregável, ele se torna uma ferramenta muito mais valiosa e entrega mais valor ao nosso produto final.
Web Dogma
Palestrante: Eric Reiss (FatDUX)
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Eric trouxe seu famoso Web Dogma (2006), um tipo de tratado com regras básicas para melhorar a experiência de uso de sites e aplicações. Apresentou muitos casos reais de sites que não seguem algumas dessas regras básicas e acabam fracassando em suas experiências. Também falou sobre inovação, afirmando que o Brasil é um país inovador por natureza e que tem tudo para ser bem sucedido inovando e trabalhando em colaboração com outros países.
Algumas frases e insights:
- Invenção só é inovação quando resolve um problema real.
- Dogmas = bullshit
- Criatividade não é o que você faz mas como pensa.
- Limitações exigem que sejamos criativos. *Lembrei da frase do Jaime Lerner: “A criatividade começa quando se corta um zero do orçamento…”
- Quem controla o passado comanda o futuro.
- Quebre regras sempre que necessário.
- Não precisamos apenas de inovação disruptiva e sim muita inovação incremental.
- O email foi uma inovação disruptiva, que permitiu colaborar em um mesmo documento.
- Como tornar o Brasil um país melhor? Comece pelo incremental, busque fazer pequenas melhorias a sua volta.